23/02/2010

Siza Vieira entre 200 criadores de projectos para "vazio" do Guggenheim de Nova Iorque

"Contemplating the Void" ("Contemplando o Vazio") é o título da mostra que está patente no Guggenheim até 28 de abril, segundo o sítio online da Ordem dos Arquitectos.
Mais de 200 criadores, desde arquitectos, designers e artistas foram convidados a criar uma intervenção na emblemática rotunda que o arquitecto Frank Loyd Wright traçou no interior do museu há mais de cinquenta anos.
Nesta exposição de "projectos ideais" emergem temas como o regresso à natureza, o desejo de escalar o edifício, a interligação entre luz e espaço, o impacto do som no ambiente, e o interesse por efeitos diáfanos em contraponto à estrutura concreta do edifício.
Além de Álvaro Siza Vieira, a lista de convidados inclui os arquitetos Philippe Rahm, Snøhetta, Studio Daniel Libeskind, Toyo Ito & Associates, Architects, West 8, BIG (Bjarke Ingels Group), Greg Lynn FORM, junya.ishigami+associates.
Também participaram os designers e artistas Fernando e Humberto Campana, Martí Guixé, Joris Laarman Studio e Studio Job, e Alice Aycock, Fake Design, Anish Kapoor, Sarah Morris, Wangechi Mutu, Mike Nelson, Paul Pfeiffer, Doris Salcedo, Lawrence Weiner e Rachel Whiteread.
A mostra é organizada pelos curadores Nancy Spector e David van der Leer, e é uma das iniciativas do Guggenheim para celebrar 50 anos de vida.

Fonte: Público

17/02/2010

Arquitectura bioclimática dá passos ainda tímidos na Região

Projectar e construir um edifício considerando a envolvente climática é o objectivo da arquitectura bioclimática, um conceito que, afinal, não é nada de novo, uma vez que nasceu com as primeiras habitações construídas pelos homens. Todavia, os princípios da arquitectura bioclimática têm sido esquecidos e ignorados na construção das habitações modernas, onde a utilização do betão e das “soluções fáceis” continua a dominar, com consequências nefastas no consumo energético e na vida dos edifícios. Na Madeira, o conceito de arquitectura bioclimática dá ainda passos tímidos.
Da utilização do conceito de arquitectura bioclimática advêem ganhos bastante significativos. Tanto no Inverno, como no Verão, quase não precisa de aquecer ou arrefecer as divisões de casa. Tal repercute-se na conta da electricidade e de gás, mais baixa do que em construções onde o conforto térmico não está assegurado.

Tal como realçou ao JM o Eng.º Filipe Oliveira, da Agência Regional de Energia e Ambiente da Região Autónoma da Madeira (AREAM) tem um clima bastante favorável à adopção dos princípios da arquitectura bioclimática.

Deste modo, salienta haverem “princípios simples que pode serem aplicados na construção das habitações, como seja fazer os sombreamento, a orientação, a ventilação natural e o aproveitamento da luz natural”.

Todavia, realça que embora “estes princípios sejam do senso comum há quem aplique mal e ourtos procuram aplicar melhor”.

A falta de conforto térmico nas casas resulta de problemas construtivos. Para ultrapassar o desconforto, gasta-se electricidade em excesso para aquecer ou arrefecer. Porém, as casas construídas segundo critérios bioclimáticos apresentam temperaturas que, na maior parte do ano, dispensam equipamentos de aquecimento ou arrefecimento.

Assim, como acentua Filipe Oliveira, na arquitectura bioclimática, a exemplo do que foi feito na Casa Solar do Porto Santo, “podem-se utilizar entradas de ar subterrâneas em que o ar entra por debaixo da terra e arrefece e quando entra dentro de casa já fresco, o que é uma grande vantagem no Verão”.

Por outro lado destaca a utilização de “janelas fingidas” ou “parede de Trombe”, em “que do lado de fora tem um vidro e por detrás da janela tem uma parede, em betão ou pedra, em que o sol passa através do vidro e aquece a parede que, depois, durante a noite vai libertando calor”.

Deste modo, sublinha “existirem muitas soluções “para aquecer” ou “arrefacer” uma casa, destacando que na arquitectura solar passiva ou na arquitectura bioclimática “o motor ou a fonte de energia é o sol e o vento”.

“É o vento na parte da ventilação, para fazer entrar e sair o ar, e o sol, que faz aquecer e circular o ar”.

Neste âmbito destaca a importância de uma casa estar bem orientada, de modo a receber o máximo de luz solar, o que, conjugado com entradas de ar na habitação, nomeadamente pode debaixo da terra, “quanto mais sol tiver mais circulação de ar faz”.

Os materiais de construção também influenciam as condições climatéricas no interior. A inércia térmica, própria dos materiais pesados, como dos tijolos maciços e da pedra, é importante em casas bioclimáticas. Com grande inércia térmica, mantêm-se mais tempo frescas durante o dia, enquanto armazenam calor, que libertam à noite.

Por isso Filipe Oliveira destaca a importância da “inércia térmica” na habitação. “Se tiver isolamento térmico por fora, a massa que está por dentro vai armazenar o calor no interior, o que quer dizer que se houverem uns dias muito frios as paredes como estão quentes vão manter o calor e uniformizar a temperatura dentro de casa, o mesmo acontecendo nos dias de Leste”.

Questionado sobre a razão por que os conceitos da arquitectura bioclimática não são mais vezes utilizados na construção das habitações, salienta que tal deve-se ao facto de que “obriga o arquitecto a pensar”, referindo que são sobretudo os arquitectos mais novos a valorizar estes princípios. Assim, salienta que muitos arquitectos “têm pouca sensibilidade” para a aplicação dos conceitos da arquitectura bioclimática. “Preocupam-se com o interior, com a distribuição de espaços, com a ocupação do lote - embora muitas vezes o terreno seja um factor limitativo - e porque sempre fizeram assim têm mais tendência a fazer de forma idêntica. Quando o projecto é ditado pelos promotores imobiliários a construção segue o princípio do mais barato, embora algumas destas soluções da arquitectura bioclimática não sejam as mais caras”, sublinha.

Embora reconheça que hoje em dia a legislação obrigue à utilização de técnicas que conduzem a uma melhor eficiência energética dos edifícios, Filipe Oliveira realça que um edifício que utilize as soluções da arquitectura bioclimática “tem um bom desempenho energético, embora o que é exigido não leva a que haja uma generalização do bioclimático”.

Considerando um cenário de consumo de 12.500 kWh/ano, correspondente a um gasto de electricidade de cerca de € 65 mensais e de € 35 de gás, a redução em 80% da fatia do aquecimento significa uma poupança anual superior a 250 euros.
Como conseguir um maior conforto térmico

Uma construção atenta aos pormenores
Técnicas de construção. Para perceber como aplicar algumas técnicas na sua casa, de modo a conseguir um maior conforto térmico, pode recorrer às agências de energia, municipais ou regionais. A ADENE (www.adene.pt) ou AREAM (www.aream.pt) tem informação sobre o Sistema de Certificação dos Edifícios e os novos regulamentos.
A orientação das fachadas da casa a Sul é favorável, no Inverno ou Verão, desde que com sistemas de sombreamento a proteger do sol directo. Numa sala de 30 m², por exemplo, as necessidades de arrefecimento podem aumentar em 1 kW, se a sala for orientada a Oeste, em vez de a Sul.

O isolamento térmico das paredes simples previne fugas de calor entre o interior e o exterior da habitação. O mesmo deve ser colocado no exterior, revestindo paredes e vigas e evitando as pontes térmicas. Uma parede simples isolada pelo exterior evita até 50% das perdas de calor.

Os vidros duplos protegem do calor e do frio. Têm duas camadas de vidro, separadas por uma câmara de gás inerte, de maior efeito isolante. As perdas de calor para o exterior reduzem-se em 45% com uma janela de vidro duplo e caixilharia isolante.

A chamada Parede de Trombe é constituída por um vidro exterior orientado a Sul, uma caixa-de-ar e uma parede de grande inércia térmica (de tijolo maciço, por exemplo). Estas paredes acumulam o calor do Sol durante o dia, transmitindo-o para o interior durante a noite.

A técnica de arrefecimento pelo solo permite refrigerar as divisões, fazendo passar ar do exterior por tubos enterrados, onde arrefece, sendo depois libertado na casa. No Inverno, o mesmo sistema permite pré-aquecer o ar.

A água pode ser usada para arrefecer o ar. Caso haja espaço disponível em frente à habitação, é possível criar espelhos de água. A evaporação da água dá-se junto às paredes exteriores da casa, diminuindo a temperatura do ar em seu redor.

As palas, ou varandas, por cima das janelas ajudam, durante o Verão, a quebrar a incidência directa do Sol.

As janelas basculantes permitem, com o estore parcialmente fechado, arejar a casa. Por sua vez, as janelas pequenas evitam o arrefecimento excessivo das casas viradas a Norte.

A forma do edifício influencia as perdas e os ganhos de calor entre o interior e o exterior. Quanto mais compacto for o edifício, menor serão as perdas energéticas. Além disso, uma casa baixa está menos exposta ao vento.

O uso de vegetação, de preferência a Este e a Oeste, evita a entrada de radiação solar directa através das janelas e protege as paredes exteriores do excesso de calor. A vegetação também protege do vento e oxigena o ar.

A utilização de painéis solares fotovoltaicos permite converter a energia solar em eléctrica, enquanto os colectores solares têm a vantagem de usá-la para aquecer água. A instalação destes sistemas leva à redução do consumo de energia eléctrica.
Legislação não ajuda à aplicação dos princípios da arquitectura bioclimática

«As pessoas estão pouco esclarecidas»
Ara Rodrigo de Castro é um jovem arquitecto que procura aplicar na construção de casas e edifícios os princípios da arquitectura bioclimática, reconhecendo no entanto que os obstáculos são vários.

Salienta que esta arquitectura “sempre se fez, desde o que o homem surgiu no planeta, pois desde o Pólo Norte ao Pólo Sul todas as habitações eram feitas consoante o clima e o local, utilizando os materias disponíveis nesse local, o que fazia com que as casas se tornassem quentes do Inverno e frescas no Verão”.

Todavia, realça que “com a Revolução Industrial e com o paradigma da Escola Bauhaus, com a construção em betão, tudo foi destruído, passando-se a construir rapidamente”.

Deste modo, Rodrigo de Castro destaca que “as casas de pedra antiga madeirenses” eram feitas com os princípios da arquitectura bioclimáticas, ou seja, “viradas a sul, com as paredes com uma determinada espessura e com as aberturas correctas, o que fazia com que o sol aquecesse a casa durante o dia e o calor fosse libertado no interior da casa durante a noite, aquecendo a casa”.

Portando, acentua que o objectivo da arquitectura bioclimática “é projectar consoante a natureza do próprio local e do clima e com os materiais do local”.

Deste modo, este jovem arquitecto considera que “pouco se fez em Portugal no âmbito da arquitectura bioclimática”, realçando que a maioria das “pessoas estão pouco esclarecidas e elucidades”, destacando que “muitas vezes o papel do arquitecto é desvalorizado em favor do técnico”.

Assim, culpa o decreto-lei 73/73 por esta situação que permite que os engenheiros técnicos possam assinar projectos de arquitectura “deixando o papel do arquitecto um pouco à margem da sociedade”, isto a par da falta de exigência de “projectos de execução” na maior parte das construções.

Rodrigo de Castro, salienta, assim, que estes factores contribuem para “que não haja um controlo da qualidade e execução dos edifícios”, o que, acentua, “contribui para por de parte os princípios da arquitectura bioclimática”.

Para além de defender uma alteração da legislação, considera que será sobretudo pelo factor de “imitação” que a arquitectura bioclimática irá se impor, uma vez que se as pessoas souberem que o vizinho tem uma casa que gasta metade da energia que consomem “vão querer também ter uma habitação igual”.

24/11/2005

Centro das Artes distinguido com prémio de arquitectura

O Centro das Artes — Casa das Mudas (Calheta), do arquitecto Paulo David, foi um dos projectos portugueses distinguidos com o Prémio Ascensores Enor de Arquitectura. A primeira sessão de apresentação dos projectos vencedores do I Prémio Ascensores Enor de Arquitectura decorre em Lisboa, amanhã, dia 22 de Novembro, pelas 18h00, no Centro Cultural de Belém, onde será apresentado o livro que abarca as obras escolhidas a concurso, a partir dos materiais entregues pelos próprios concorrentes. Irão ainda conferenciar José Gigante e Vítor Silva, autores do projecto finalista “Reforma de um sequeiro” em Guimarães, e José Churtichaga e Caytana de la Quadra-Sicedo, arquitectos responsáveis pela obra finalista em Espanha “Bilbioteca Municipal de Villanueva de la Cañada”. A segunda sessão decorre no Porto, na próxima quinta-feira dia 24 de Novembro, à mesma hora, na Biblioteca Municipal Almeida Garret, R. das Entrequintas, 328, onde será também apresentado o livro e conferenciarão os arquitectos Pedro Mendes, autor de uma vivenda unifamiliar no Alto Alentejo, bem como Cano Pintos, responsável do projecto finalista em Espanha “Oficina Municipal de Transportes de Madrid”. Para além do Centro das Artes — Casa das Mudas, foram distinguidos os seguintes projectos portugueses: “Casa do Cinema Manoel de Oliveira”, de Eduardo Souto Moura, “Escritórios e Estacionamentos lotes 7-8-9”, de Pedro Cabezas e Samuel Torres de Carvalho, “Reconstrução de um sequeiro” – Guimarães, de José Gigante e Victor Rosas da Silva, “Miraflores, Lote 50” – Lisboa, de Miguel Mira, “Habitação unifamiliar” – Alto Alentejo, de Pedro Mendes, e “Casa António Teixeira”, de José Gigante e João Moreira Gomes.

Jornal da Madeira

Construções com mais qualidade


Aquí vai um artigo do Jornal da Madeira, ineressante sobre um trabalho de um colega amigo, aquem desde já dou os Parabens!

Há 15 anos, quando se dedicou à prática de agricultura biológica, “as pessoas que foram sabendo chamavam-me louco”. Hoje, esta prática é comum e até incentivada pelas entidades governamentais. Rui Nelson decidiu, por isso, apostar noutra vertente que, embora barata e fácil de concretizar, não tem tido pernas para andar: a arquitectura biológica. Há 10 anos que anda a falar “nisto” mas ninguém se importa em transformar a sua residência ou local de trabalho num espaço mais agradável e onde não se chegue ao fim do dia “com um cansaço fora do normal”. Mas este agente técnico de arquitectura e engenharia acredita que mais dia menos dia, “as pessoas vão chegar à conclusão que a arquitectura biológica é a melhor opção para uma vida mais saudável”. A entrevista com este responsável decorreu no seu escritório, no Seixal. Um espaço verdadeiramente biológico. À nossa equipa de reportagem, aquele responsável referiu que a arquitectura biológica pode indiciar que é uma ciência dos tempos modernos. Mas, na verdade, a arquitectura biológica já vem sendo colocada em prática desde os tempos dos nossos avós. Rui Nelson explica que o objectivo desta arquitectura biológica é o de fazer com que a habitação, através da conjugação de uma diversidade de factores, porporcione bem estar e o máximo de conforto às pessoas. Dá exemplos. Para ter uma casa saudável, uma ecocasa, é preciso fazer com que a obra obedeça a alguns requisitos. É preciso ter cuidado com a ventilação. A casa tem de ter paredes duplas. A tinta utilizada na pintura também tem de ser biológica. As existentes no mercado têm muito chumbo, provocando “doenças a quem habita nas casas pintadas desta forma”. Rui Nelson refere que uma casa construída à base da arquitectura biológica não pode possuir, por cima, linhas de alta tensão nem as celébres antenas das operadoras de telemóveis. Uma casa biológica deve ter também um espaço para reaproveitamento da água que será utilizada nos jardins e nas sanitas, depois de passar por uma fossa biológica. É importante também, conforme sublinha, que se saiba aproveitar as energias. Convém que as janelas da casa sejam amplas por forma a permitir a entrada de muita luz e que essa luz entre em particular na parte da manhã para que o calor se acumule no resto do dia. Estes alguns pontos que Rui Nelson destaca para a construção de uma casa mais saudável. Para investir neste tipo de arquitectura não é preciso dispender mais dinheiro. O que acontece é que as pessoas estão mais viradas para o aspecto prático e para a rapidez da obra, descurando a qualidade da mesma. No entanto, o facto de não serem respeitadas certas regras que transformariam uma residência ou um local de trabalho mais aconchegantes, os portugueses passam o Inverno, por exemplo, numa casa que se assemelha a um frigorífico. Não é por isso de estranhar que sejam divulgadas notícias como “temos das casas mais frias da Europa”. Rui Nelson destaca ainda o facto de muitas das doenças alérgicas derivarem do facto de as pessoas não viverem numa casa construída de forma biológica. Antigamente, conforme realça, embora sem saberem, os nossos avós construíam casas mais saudáveis. As casas de pedra eram quentes no Inverno e frescas no Verão e a cal, material que transforma o dióxido de carbono em oxigénio, era o tipo de tinta mais utilizado.

Acontece na Universidade Lusíada de Lisboa


"Ilhas do Tejo" - Experiência pedagógica realizada no 3.º ano da Licenciatura em Arquitectura (Projecto I).
De 23 Novembro a 7 Dezembro 2005
Na sala de exposições

O Simbolismo do Espaço Sagrado - Na arquitectura moderna e clássica


No Suplemento Pedras Vivas do Jornal da Madeira o Arquitecto João Cunha Paredes fez publicar o seguinte texto que julgo ser de grande importância, pelo que aquí também faço a sua divulgação:

"O simbolismo das igrejas não é algo de inteiramente desconhecido pelos fiéis. Certos trechos da Bíblia, comentários ouvidos durante as homilias, particularmente a homilia de con- sagração das novas igrejas, e informações colhidas em livros ou artigos, deixam vestígios na memória. Assim, sabe-se geralmente, ao menos entre os fiéis praticantes, que a igreja edificada representa a igreja espiritual, corpo místico de Cristo, que as pedras do edifício representam as "pedras vivas" que são os fiéis, que as janelas simbolizam hospitalidade franca e afectuosa caridade, que o pavimento representa o fundamento da Fé, que as colunas representam os apóstolos, que as vigas que unem as partes da igreja representam os princípios deste mundo, que a Capela do Santíssimo, onde Jesus está presente e onde se depositam os vasos sagrados, simboliza o seio da Virgem Maria, etc. Estas significações não se devem rejeitar, ainda que não sejam suficientemente profundas para explicar a simbologia sagrada das igrejas, que está na origem do projecto, mas não é sempre fácil de interpretar nos resultados arquitectónicos. Deste modo e em rigor, há que distinguir dois tipos de símbolo muito diferentes: o símbolo intencional e o símbolo essencial. As significações que todos conhecemos, algumas já sumariamente referidas, são símbolos intencionais e em certos templos a sua manifestação resulta de certo modo artificial, porquanto não se vê de imediato que justifiquem a natureza do objecto arquitectónico que supostamente inspiraram e a que deveriam dar forma. O sentido espiritual surge aqui como "transportado" para uma forma que não consegue convencer porque se sente que é intermutável: a melhor prova disso reside no facto de serem por vezes atribuídas significações totalmente distintas aos objectos em causa, o que se torna impossível no verdadeiro simbolismo ou simbolismo essencial. Este caracteriza-se precisamente pelo laço íntimo e indissolúvel que liga o objecto material à sua significação espiritual por uma união hierárquica e substancial análoga à da alma e do corpo, da realidade visível com a invisível - união essa apreendida pelo espírito como um todo orgânico, uma verdadeira hipóstase conceptual, uma síntese fulgurante do conhecimento e uma intuição como que instantânea. O simbolismo limita-se aqui a explicar uma realidade espiritual já existente implicitamente no coração da igreja. O homem moderno encara o mundo como um aglomerado de fenómenos, enquanto que para o homem clássico o mundo constituía uma realidade harmoniosa e hierarquizada. Na concepção moderna e puramente quantitativa, o mundo é visto como força e matéria que originam os fenómenos, por conseguinte não existe "chave" para a interpretação do mundo e a ciência moderna esgota-se em descobertas, espectaculares, necessárias e positivas sem duvida, mas ao mesmo tempo duvida da possibilidade e adia indefinidamente a esperança de uma verdadeira explicação da realidade. Pelo contrário, na concepção tradicional e qualitativa, consideram-se menos os fenómenos e as forças materiais do que a estrutura interna do mundo, a sua arquitectura espiritual: São Boaventura escreve que "todas as criaturas do mundo sensível nos conduzem a Deus, porque são as sombras, as pinturas, os vestígios, as imagens, as representações do Primeiro, do Sapientíssimo, do excelente Princípio de todas as coisas; são as imagens da Fonte, da Luz, da Plenitude eterna, do soberano Arquétipo; são sinais que nos foram dados pelo próprio Senhor".".

As novas tendências em arquitectura para Instalações Sanitárias! Posted by Picasa

Arquitectura e Urbanismo nas Ilhas Atlânticas. Um Patrimonio Comum dos Açores, Cabo Verde, Canarias e Madeira (2ª Parte)

Continuação do texto de José Manuel Fernandes:

"B - A ocupaçäo humana
"Desde os primeiros tempos, o destino das Ilhas Atlântidas parece ser o de enfeixar relaçöes distantes."Orlando Ribeiro,"As Ilhas Atlântidas"

1 - Uma história comum, uma tradiçäo mítica

Há uma "História Mítica" das ilhas Altântidas; o conhecimento da sua existência desde a Antiguidade desenvolveu lendas inúmeras sobre a sua origem e significado. "No faltan quienes, incluso com ínfulas científicas, admiten que [Canarias], junto con las Azores, la isla de Madera y el archipiélago de Cabo Verde, son lo que queda del mítico continente de la Atlántida, hundido bajo las aguas en remotas fechas.".
A situaçäo isolada das ilhas, as suas manifestaçöes vulcanistas, os ambientes quase irreais e únicos, o clima especial, mas sobretudo o escasso conhecimento exacto que delas se tinha, desde cedo levou à construçäo de histórias, explicaçöes, lendas - que se prolongaram desde a Antiguidade à época das Descobertas e à Idade Moderna, alimentadas pelas dificuldades do seu lento desbravar, ou pela patente continuidade dos fenómenos sísmico-vulcânicos: "A lenda das Ilhas Afortunadas criou-se na Antiguidade, quando a imaginaçäo dos homens procurava, num lugar perdido e distante, um mundo melhor que este onde viviam. As Colunas de Hércules, hoje estreito de Gibraltar, sem serem nunca um limite do mundo conhecido, formaram, desde a conquista cartaginesa, uma barreira da navegaçäo. Parecia assim natural que essa ‘terra dos bem-aventurados’ ficasse para além do estreito, nas ‘ilhas do oceano ocidental’. As Canárias, que os Gregos conheceram e visitaram, correspondiam em grande parte a este mundo ideal, pela amenidade do clima e pela fertilidade do solo, que tudo produzia, recompensando, quase sem esforço, sob o influxo de um céu luminoso e tépido, como numa eterna Primavera, os felizes habitantes dessas ilhas. Com elementos desta lenda e recordaçöes da cidade de Tartessos, na foz do Guadalquivir, aniquilada pela expansäo cartaginesa na Península Ibérica, compôs Platäo a descriçäo mítica da Atlântida, onde os homens viviam numa felicidade perpétua, na paz, na prosperidade e na justiça. de repente, ‘por tremores de terra medonhos e cataclismos’, a Atlântida desapareceu no seio das ondas e com ela a esperança de um mundo melhor, que o Cristianismo havia de renover, mas ‘depois deste desterro’, no plano da vida futura.
Durante mais de dois milénios, as Ilhas Afortunadas foram esquecidas."..."

Voltamos a Carga!

Depois de um tempo de avaliação do projecto e das formas em que podemos melhora-lo, retomamos este projecto de valorização da arquitectura em especial da Atlântica.

01/06/2005

Será Mesmo!!?

Uma frase interessante:

"As sociedades avançadas estão a experimentar algum regresso a um equilíbrio sensorial típico da era tribal pré-alfabeto. A escrita, a linguagem dos livros, esta a deixar de ser a tecnologia de comunicação predominante a favor da das imagens, dos logos, dos vídeo, dos directo, etc. São duas grandes forças que estão a marcar o nosso tempo: a lineariedade do passado/presente e a tribalização do passado/futuro."Ilharco, Fernando,

Público, em 2005/05/30

11/05/2005

ARQUITECTURA E URBANISMO NAS ILHAS ATLANTICAS. UM PATRIMONIO COMUN DOS ACORES, CABO VERDE, CANARIAS E MADEIRA (1ª Parte)

A alguns dias atrás em pesquisa na Net, sobre a arquitectura das ilhas da Macarronésia encontrei um texto que achei interessante e que gostaria compartilhar convosco da autoria de José Manuel Fernandes, sobre a ARQUITECTURA E URBANISMO NAS ILHAS ATLANTICAS. UM PATRIMONIO COMUN DOS ACORES, CABO VERDE, CANARIAS E MADEIRA.

Pela extensão do texto eler será colocado em pequenas partes ao longo dos próximos dias.

Já agora porque não debater o assunto?!!....espero seu comentário!.


"...teria interesse verificar como se enraizou a velha civilização rural do ocidente da Península nestes pedaços de terra de origem vulcânica, desabitados e com condições climáticas tão diferentes..."
Carlos Alberto Medeiros, In "Acerca da Ocupação Humana das Ilhas Portuguesas do Atlântico"


1 - Localização, extensão, dimensões

"Desdobradas entre 15 graus e 40 graus de latitude norte, as Ilhas Atlânticas, também conhecidas por Macaronésia, abrangem um conjunto de cinco arquipélagos (Açores, Madeira, Selvagens, Canárias e Cabo Verde), que ocupa cerca de 15.700 Km2." Assim, com base em Orlando Ribeiro, definiu Carlos Alberto Medeiros um âmbito geográfico que nos serve agora de base de trabalho.
"As ilhas dos Açores ocupam apenas cerca de 3 graus em latitude (39 o 43’ 23" - 36 o 55’ 43" N), contra pouco mais de 6 graus em longitude (31 o 16’ 24" - 24 o 16’ 15" O Gr.). Deste modo, a variação daquilo que as distingue faz-se principalmente no sentido dos paralelos, já que no dos meridianos há muito menos espaço para variações sensíveis." .
A área total do arquipélago é de cerca de 2.344 km2, e contém nove ilhas principais: no grupo oriental, Santa Maria e São Miguel (a maior, com cerca de 757 km2), no central a Terceira, Graciosa, São Jorge, Faial e Pico, e no ocidental Flores e Corvo (a mais pequena, com pouco mais de 17 km2). A meio caminho entre Europa e América, estende-se por mais de 650 km.
"A ilha da Madeira faz parte de um pequeno arquipélago situado no paralelo 33 o N, a 796 km da costa africana, em frente do Cabo Branco e a 978 km de Lisboa; os Açores ficam a 980 km para Noroeste, as Ilhas Canárias a 504 km para Sul." . Com cerca de 783 km2 de área, tem a Nordeste a pequena ilha de Porto Santo, e a Sudeste os três ilhéus das Desertas; mais longe, ficam as Selvagens, duas ilhas desabitadas, que constituem um minúsculo arquipélago isolado.
As Canárias definem um quarto arquipélago, "situado a una distancia de aproximadamente 100 Km. - 115 según Terán - de la costa occidental africana, limitado por los paralelos 27 y 31 de latitud N y los meridianos 13 y 19 de longitud O, próximo por consiguiente al Trópico de Cáncer y un poco al oeste del meridiano cero." .. A sua extensäo é de cerca de 7.272 km2 (quase metade do total da Macaronésia), e "está formado por las islas de Lanzarote y Fuerteventura al este, Gran Canaria y Tenerife en el centro, y al oeste y de norte a sur, La Palma, Gomera y Hierro." .. Tenerife (com 2.053 km2, a maior terra macaronésia) e Gran Canaria säo a ilhas mais vastas e mais importantes; inclui ainda alguns ilhéus menores.
Quanto a Cabo Verde, com uma superfície de cerca de 4.033 km2, está situado entre 17 o 13’ N - 14 o 48’ N de latitude, e entre 25 o 22’W Gr. - 22 o 40’ O Gr. de longitude.() Possui dez ilhas, das quais nove habitadas: os tradicionais grupos de Sotavento (Brava, Fogo, Santiago, Maio) e de Barlavento (Sal, Boavista, Säo Nicolau, Santa Luzia, Säo Vicente e Santo Antäo). As ilhas mais importantes säo Santiago (que é também a maior, com 991 km2) e Säo Vicente.
Deste modo, existe um total de 28 ilhas macaronésias (30, se contarmos com as duas Selvagens), 27 das quais habitadas, mais os diversos ilhéus referidos, variando enormemente a dimensäo média de cada (de 17 até 2.053 km2). A área média de cada ilha das Canárias é porém maior que a de Cabo Verde, e a deste arquipélago maior que a dos Açores ou Madeira. Como elementos caracterizadores comuns do vasto conjunto insular da Macaronésia, Medeiros cita a origem vulcânica e as afinidades de vegetaçäo, apesar da enorme variedade climática...."

Acontece esta Semana. Posted by Hello

Conferência "Construir Simplicidade"

Organizada pela FNAC-Colombo , no âmbito da quinzena dedicada à arquitectura cujo o tema é “Habitar Construir Pensar” .
Com base no livro publicado recentemente pela Librus, “Jorge Mealha –Arquitectura”,contará com a presença do arquitecto Jorge Mealha (Prof. da Faculdade de Arquitectura e Artes da Universidade Lusíada de Lisboa), que apresentará algumas das suas obras, e do arquitecto Miguel Seabra, coordenador editorial da Librus.

Dia 12 Quinta-feira 18,30 Fórum FNAC-Colombo.

A Librus Publicações Técnicas convida-o a assistir a Conferência "Construir a Simplicidade". Posted by Hello

10/05/2005

Acontece na Lusíada - Lisboa

Seminário Internacional "Arquitectura da Diferença"

Universidade Lusíada de Lisboa22 a 25 Junho 2005 [auditório 1]
Com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República.
Com o Apoio das Câmaras Municipais de Lisboa, Loures, Oeiras e Sintra.

Mais informações no site: www.arquitecturadadiferenca.lis.ulusiada.pt

Governo promete mobilizar sector da construção com "grandes e urgentes" obras públicas

O ministro das Obras Públicas prometeu hoje mobilizar o sector da construção com o lançamento de "grandes e urgentes" projectos de investimento público, como o do novo aeroporto e o da rede ferroviária de alta velocidade (Rave).

Para Mário Lino, que falava na conferência anual da maior associação empresarial do sector, a Aecops - Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas, "é preciso um prazo muito curto para tomar decisões" quanto à conclusão do plano rodoviário nacional, à Rave e ao novo aeroporto, projectos "que vão ter repercussões fortes no desenvolvimento do país nos próximos anos".O plano de investimentos do Governo é "ambicioso", afirmou o ministro, e vai "mobilizar toda a capacidade de projecto, fiscalização e construção que existe no país".Antes, Mário Lino tinha ouvido o apelo do presidente da Aecops, Joaquim Fortunato, traçar um cenário de crise no sector e apelar a reformas legislativas e ao aumento do investimento público.

Lusa

Vamos esperar para ver!

28/04/2005


Esta patente no atrio da Direcção Regional de Turismo (RAM) a exposição "Materiais e Técnicas de Construção Tradicionais da Madeira e Porto Santo", comemorativo do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (18 de Abril), sendo que a mesma poderá ser visitada até 19 de Maio. Posted by Hello

Até quando?!...vamos assistir a indiferença perante as barreiras arquitectonicas!. Será que a lei irá continuar letra morta?... Vamos ver o que este governo fará! Posted by Hello